Ainda é comum ver empresas que tomam decisões baseadas apenas em intuição, experiências passadas ou “sensações de mercado”, mesmo diante de tanta informação e ferramentas disponíveis para análise de métricas e números. A análise de dados deixou de ser um diferencial competitivo para se tornar uma exigência básica de sobrevivência empresarial. Toda decisão estratégica relevante — expansão, precificação, contratação, investimentos, marketing, corte de custos — deveria partir de informações concretas, métricas confiáveis e indicadores bem definidos.
Partindo do ponto básico: um fluxo de caixa organizado e orçamentos, com análise mensal, são imprescindíveis para um gestão eficiente dentro de uma empresa. Gosto de falar que é necessário “ligar o gps” da empresa para entender, primeiro, onde ela está, para depois traçar o destino, para onde ela irá. E isso só é possível quando a gente levanta os números da empresa.
Embora os números não mentem, falam por si, os dados sozinhos não movem empresas. São as pessoas que interpretam, decidem e executam.
A Regra do 80/20 nas Competências Profissionais
Para ser completo no mundo dos negócios, precisamos dosar entre:
- 80% de habilidades comportamentais
- 20% de habilidades técnicas
As habilidades técnicas envolvem conhecimento em finanças, gestão, análise de dados, marketing, operações, tecnologia, entre outras. Elas são, sim, fundamentais. Porém, sem competências comportamentais bem desenvolvidas, esses conhecimentos raramente se transformam em resultados consistentes.
Entre as principais habilidades comportamentais estão:
- Tomada de decisão
- Inteligência emocional
- Comunicação estratégica
- Liderança
- Capacidade de adaptação
- Gestão de conflitos
- Disciplina e consistência
- Visão sistêmica
Basicamente, é o seguinte: “ok, eu tenho os números aqui e eles estão me dizendo que as vendas baixaram, o lucro reduziu, o produto “x” está melhor que o produto “y”….mas e agora? O que eu faço com esse dado?” Percebe que apenas o SABER do número NÃO É SUFICIENTE? Por trás dele, é necessário ter alguém com as habilidades comportamentais necessárias para interpretar, analisar e tomar decisões, que, consequentemente, trará RESULTADO.
Empresas não quebram porque erraram apenas na planilha. Muitas quebram porque erraram em pessoas, processos, comportamentos e decisões mal conduzidas ao longo do tempo.
Dados sem pessoas certas não geram resultado
A análise de dados responde perguntas como:
- Onde estamos perdendo dinheiro?
- Quais produtos são realmente lucrativos?
- Qual cliente gera mais margem?
- Onde o processo é ineficiente?
- Qual ação gera mais retorno?
Porém, mesmo com todas essas respostas em mãos, ainda é necessário:
- Coragem para mudar
- Disciplina para executar
- Humildade para corrigir rotas
- Liderança para mobilizar equipes
- “Feeling” para tomar decisões
É exatamente aqui que entram os 80% comportamentais. Muitas empresas sabem o que precisa ser feito, mas não fazem. Outras até começam, mas não sustentam a execução. O fator limitante quase nunca é técnico — é humano.
Os números falam, mas são as pessoas que decidem
Indicadores não mentem. Fluxo de caixa, margem de lucro, faturamento, ticket médio, giro de estoque, inadimplência, custo de aquisição de clientes — todos esses indicadores contam a história real de uma empresa. Eles revelam onde estão os gargalos, as oportunidades e os riscos.
Entretanto, interpretar corretamente os dados exige maturidade profissional. Executar o que os números indicam exige postura, responsabilidade e compromisso.
Negócios prósperos não são construídos apenas com bons sistemas, softwares e dashboards. São construídos por líderes que unem:
- Leitura estratégica de dados
- Decisões rápidas e conscientes
- Comportamentos alinhados à execução
Conclusão
No mundo dos negócios, não existe mais espaço para decisões no escuro. A análise de dados é a base da estratégia, mas são as habilidades comportamentais que determinam a velocidade, a qualidade e a sustentabilidade dos resultados.
Quem domina apenas a técnica, até começa bem. Quem desenvolve comportamento, liderança e mentalidade estratégica, constrói negócios sólidos, lucrativos e duradouros.
Porque, no fim, os números sempre falam. Mas são as pessoas que decidem ouvir — e agir.











